O EXORCISTA
“Deixe que Jesus te fo...”Um set de filmagem que pegou fogo sem explicação. Oito pessoas da equipe de filmagem que morreram de causas desconhecidas. A celebridade infantil mais estranha do cinema. E a caracterização do mal mais assustadora até hoje.
O Exorcista era um filme que eu pensava duas vezes antes de assistir, ou não pensava, não assistia e pronto. Depois de assistir varias vezes eu fiquei mais sossegado. Mas para quem nunca assistiu eu digo, essa porra assusta de verdade. Nunca vi um filme
com um clima tão pesado de suspense quanto esse. É um clima de suspense que pula da tela da televisão e contagia a casa toda. Se você assistir sozinho esse é o tipo do filme que você assiste deitado na cama com as pernas encolhidas, você fica tão cabreiro que dá medo de ir à cozinha buscar um copo de água, ou medo de levantar e ir ao banheiro. Ou até pior, se você estiver assistindo com a luz do quarto apagada você fica sem coragem de levantar para acender a luz. O roteirista William Peter Blatty usou bons ingredientes para compor a personagem principal, Regan; uma menina de doze anos, bonita, inocente que sonhava em ter um cavalinho branco e que morava com a mãe, uma atriz e seus dois empregados. Até coisas estranhas acontecerem e a menina ser possuída por um demônio. Se ao invés de uma garotinha fosse um homem ou uma mulher, não causaria o mesmo impacto. Mas uma criança sendo usada pelo mal, cuspindo nos outros, falando palavrão e se masturbando com um crucifixo até a genitália sangrar é death metal pra ca....
Não vou entrar nos pormenores da possessão da menina, até porque isso fica meio em aberto nesse primeiro filme, só no Exorcista II O Herege é que isso é mais explicado. Mas o que eu entendi é que Regan acha no porão de casa um tabuleiro com o alfabeto e brinca com o jogo. O jogo é igual ao que os adolescentes otários usam para falar com os espíritos usando copo e pêndulos. Pois bem, Regan brinca com essa coisa e acaba se comunicando com uma figura chamada Capitão Hawdy. Não é mostrado no filme Regan jogando, mas aparece ela demonstrando a mãe como funciona o tabuleiro. É uma cena muito curta e que logo esquecemos no decorrer do filme, mas acredito que a origem dos acontecimentos com Regan está no jogo.
Mas neste meu texto pobre e amador, o que eu quero destacar são os efeitos especiais do filme. Como foi feito em 1973 eles estavam longe de usar os recursos que temos hoje. Mais é isso no filme que eu admiro e pago um pau. Tudo é feito de maneira crua, com suor e muita dor. E falando em dor, a atriz Linda Blair (Regan) e Ellen Burstyn (Chris McNeil, mãe de Regan) sofreram o Diabo para fazer algumas cenas.
Na cena em que Regan está possuída e pede para sua mãe chupá-la, Chris McNeil leva um violento e estalado tapa da filha e é jogada com força no chão, a atriz Ellen Bursty solta um grito de dor bem real, ao bater as costas, isso porque ela se machucou de verdade e o diretor deixou a cena rolando assim mesmo.
Na cena em que o padre Karras está no seu quarto ouvindo fitas com a voz da menina possuída e analisando o caso quando o telefone toca e o ator Jason Miller dá um pulo de susto. Aquilo não é interpretação, o diretor William Friedkin, sem Jason Miller saber, ficou escondido do lado de fora do cenário com um revólver e deu um tiro com bala de festin para o ator se assustar de verdade, e é o que vemos na cena.
Nos dias de hoje a cena em que Regan desce as escadas como uma aranha seria feita com o que há de melhor na computação gráfica já que seria impossível um ator executar tal desempenho. Mas a cena foi feita com uma contorcionista de circo.
Linda Blair também se machucou em algumas cenas, como a que ela é arremessada várias vezes para cima pela sua cama que está tremendo. A equipe de efeitos especiais fez um molde das costas da atriz em plástico ou coisa parecida e amarrou alguns fios de nylon que passavam pelo colchão e que eram manipulados por dois caras que ficavam em baixo da cama puxando a pobre Linda várias vezes. Nessa cena ela também machucou as costas.
Quando Regan gira completamente a cabeça ouvimos o som dos ossinhos quebrando. Primeiro aquilo é um boneco no tamanho real da atriz e o barulho que ouvimos é o som de uma carteira de couro sendo amassada.
A voz do demônio eu pensei, e acho que quem viu o filme pensou também, que é simplesmente a voz de um homem distorcida por algum recurso de som. Mas o pior é que não é a voz de um homem e sim de uma mulher. É a voz da atriz Mercedez McCambridge. Mas a voz dela não foi modificada por algum efeito, ela fez aquela voz na raça, ingerindo todo tipo de porcaria que estraga a voz tipo, cigarro, bebida etc.
Para finalizar então eu digo O Exorcista é foda, doa a quem doer. Tratou de um tema que está na imaginação das pessoas e foi tratado de maneira séria. O filme é “limpo” assim como O Iluminado de Stanley Kubrick, sem efeitos escabrosos, sem show, (apesar de algumas cenas serem surreais elas não são engraçadinhas) ao contrario do que viriam nos anos 80, o trash, bonecos jorrando guache vermelho, adolescentes imbecis correndo de um psicopata.
O sucesso de O Exorcista é imortal.
0 comment(s):
Post a comment
<< Home