:: 7 Days A Week ::
a nerdorama's spin-off

15.3.07

PULP FICTION

Hamburger, Chuck Berry, abuso de drogas, banho de sangue. E Deus criou Quentin Tarantino.

Eu não queria tocar nesse assunto. Pulp Fiction é tão bom que me deixa puto. Mas eu assisto essa merda umas três vezes por semana, juro.
Eu não quero falar sobre a estória, até porque outros sites falariam melhor do que eu. Mas eu quero falar o que é Pulp Fiction. Vocês sabem o que é um filme ser bom desde seus primeiros dez segundos até o último nome dos créditos finais? É isso mesmo, Pulp Fiction humilha, detona é quase covardia. A surf music “Misirlou” é tão marcante que chega ser quase um personagem. No começo do filme durante a execução da musica e dos créditos de abertura, a musica é cortada com um chiado de mudança de estação de rádio e ouvimos um funk anos 70 escrachado e debochado, ao abrir a cena vemos dois gângsters modernos e engravatados num papo maluco sobre drogas e fast food. Daí em diante somos jogados em três estórias do submundo de Los Angeles, violência e bizarrices; acerto de contas entre bandidos, perseguição nas ruas, um concurso de twist, doses de heroína.

Das três estórias a mais legal é a do gangster saindo com a mulher do chefão. Como nos filmes Noir dos anos 40 e na literatura Pulp Magazine, as mulheres são o que movem as estórias causando a destruição ou até a morte de um personagem masculino. Em tempos modernos, Mia Wallace coloca Vincent numa fria quando tem uma overdose de heroína e depende dele para ser salva.

Pulp nos mostra o sistema métrico usado na Europa, o que fazer quando alguém tem uma overdose, como se livrar de um cadáver em uma hora. E também a gratuidade da vida; como dois caras são alvo de vários tiros a meio metro de distancia e nenhuma bala os acerta? E alguns minutos depois, três caras dentro de um carro, o que dirige passa numa lombada e a arma do outro dispara e explode a cabeça do otário que está no banco de trás?

E a pergunta mais impertinente é: QUE DROGA TEM DENTRO DA PORRA DA MALETA!
Eu já cheguei a ler em outros textos o seguinte, entrem na viagem;

Vincent Vega e Jules vão cobrar a tal maleta de uns caras. Quando Vincent abre a mala vemos uma luz dourada refletir no rosto do gângster que está chocado. Pois bem, dizem que Marcellus Walace vendeu sua alma ao Diabo que estaria querendo ela de volta. Antes da chacina Jules fala a passagem bíblica Ezequiel 25:17, logo depois da execução um outro cara sai do banheiro atirando nos dois gângsters, mas eles não são atingidos por causa de uma suposta “intervenção divina”. Deus parou as balas e os protegeu porque eles salvaram uma alma.

13.3.07

O EXORCISTA

“Deixe que Jesus te fo...”

Um set de filmagem que pegou fogo sem explicação. Oito pessoas da equipe de filmagem que morreram de causas desconhecidas. A celebridade infantil mais estranha do cinema. E a caracterização do mal mais assustadora até hoje.

O Exorcista era um filme que eu pensava duas vezes antes de assistir, ou não pensava, não assistia e pronto. Depois de assistir varias vezes eu fiquei mais sossegado. Mas para quem nunca assistiu eu digo, essa porra assusta de verdade. Nunca vi um filme com um clima tão pesado de suspense quanto esse. É um clima de suspense que pula da tela da televisão e contagia a casa toda. Se você assistir sozinho esse é o tipo do filme que você assiste deitado na cama com as pernas encolhidas, você fica tão cabreiro que dá medo de ir à cozinha buscar um copo de água, ou medo de levantar e ir ao banheiro. Ou até pior, se você estiver assistindo com a luz do quarto apagada você fica sem coragem de levantar para acender a luz.

O roteirista William Peter Blatty usou bons ingredientes para compor a personagem principal, Regan; uma menina de doze anos, bonita, inocente que sonhava em ter um cavalinho branco e que morava com a mãe, uma atriz e seus dois empregados. Até coisas estranhas acontecerem e a menina ser possuída por um demônio. Se ao invés de uma garotinha fosse um homem ou uma mulher, não causaria o mesmo impacto. Mas uma criança sendo usada pelo mal, cuspindo nos outros, falando palavrão e se masturbando com um crucifixo até a genitália sangrar é death metal pra ca....

Não vou entrar nos pormenores da possessão da menina, até porque isso fica meio em aberto nesse primeiro filme, só no Exorcista II O Herege é que isso é mais explicado. Mas o que eu entendi é que Regan acha no porão de casa um tabuleiro com o alfabeto e brinca com o jogo. O jogo é igual ao que os adolescentes otários usam para falar com os espíritos usando copo e pêndulos. Pois bem, Regan brinca com essa coisa e acaba se comunicando com uma figura chamada Capitão Hawdy. Não é mostrado no filme Regan jogando, mas aparece ela demonstrando a mãe como funciona o tabuleiro. É uma cena muito curta e que logo esquecemos no decorrer do filme, mas acredito que a origem dos acontecimentos com Regan está no jogo.

Mas neste meu texto pobre e amador, o que eu quero destacar são os efeitos especiais do filme. Como foi feito em 1973 eles estavam longe de usar os recursos que temos hoje. Mais é isso no filme que eu admiro e pago um pau. Tudo é feito de maneira crua, com suor e muita dor. E falando em dor, a atriz Linda Blair (Regan) e Ellen Burstyn (Chris McNeil, mãe de Regan) sofreram o Diabo para fazer algumas cenas.

Na cena em que Regan está possuída e pede para sua mãe chupá-la, Chris McNeil leva um violento e estalado tapa da filha e é jogada com força no chão, a atriz Ellen Bursty solta um grito de dor bem real, ao bater as costas, isso porque ela se machucou de verdade e o diretor deixou a cena rolando assim mesmo.

Na cena em que o padre Karras está no seu quarto ouvindo fitas com a voz da menina possuída e analisando o caso quando o telefone toca e o ator Jason Miller dá um pulo de susto. Aquilo não é interpretação, o diretor William Friedkin, sem Jason Miller saber, ficou escondido do lado de fora do cenário com um revólver e deu um tiro com bala de festin para o ator se assustar de verdade, e é o que vemos na cena.

Nos dias de hoje a cena em que Regan desce as escadas como uma aranha seria feita com o que há de melhor na computação gráfica já que seria impossível um ator executar tal desempenho. Mas a cena foi feita com uma contorcionista de circo.

Linda Blair também se machucou em algumas cenas, como a que ela é arremessada várias vezes para cima pela sua cama que está tremendo. A equipe de efeitos especiais fez um molde das costas da atriz em plástico ou coisa parecida e amarrou alguns fios de nylon que passavam pelo colchão e que eram manipulados por dois caras que ficavam em baixo da cama puxando a pobre Linda várias vezes. Nessa cena ela também machucou as costas.

Quando Regan gira completamente a cabeça ouvimos o som dos ossinhos quebrando. Primeiro aquilo é um boneco no tamanho real da atriz e o barulho que ouvimos é o som de uma carteira de couro sendo amassada.

A voz do demônio eu pensei, e acho que quem viu o filme pensou também, que é simplesmente a voz de um homem distorcida por algum recurso de som. Mas o pior é que não é a voz de um homem e sim de uma mulher. É a voz da atriz Mercedez McCambridge. Mas a voz dela não foi modificada por algum efeito, ela fez aquela voz na raça, ingerindo todo tipo de porcaria que estraga a voz tipo, cigarro, bebida etc.

Para finalizar então eu digo O Exorcista é foda, doa a quem doer. Tratou de um tema que está na imaginação das pessoas e foi tratado de maneira séria. O filme é “limpo” assim como O Iluminado de Stanley Kubrick, sem efeitos escabrosos, sem show, (apesar de algumas cenas serem surreais elas não são engraçadinhas) ao contrario do que viriam nos anos 80, o trash, bonecos jorrando guache vermelho, adolescentes imbecis correndo de um psicopata.

O sucesso de O Exorcista é imortal.

6.3.07

THEY CALL HER ONE EYE (1974)


A Vingança Caolha!

Um filme sueco de Bo A. Vibenus, com Christina Lindberg.
É uma estória muito simples; uma garotinha chamada Madeleine é estuprada num parque por um velho mendigo. Com esse trauma a garota fica muda por muitos anos. Já adolescente, com uns dezessete anos, ela vive numa fazenda que deve se localizar no c... do mundo, esquina com aonde o vento faz a curva. Um dia, ela perde o ônibus que a levaria de volta para casa (pelo menos foi o que eu entendi) e muito inocentemente ela aceita carona de um desconhecido. Pois bem, daí por diante acontece o seguinte; o sujeito a leva para sua casa na cidade grande, lhe aplica injeções diárias de uma droga que a faz dormir por vários dias, quando ela acorda ele a faz assinar uma espécie de contrato, agora ele é seu cafetão, Madeleine é obrigada a se prostituir, fica viciada em heroína, parte do dinheiro que ela ganha com a prostituição são para pagar as doses diárias de heroína. Ela sofre todo tipo de exploração sexual de seus clientes, inclusive de uma mulher que durante o ato lhe dá vários tapas na cara. O cafetão manda uma carta falsa para os pais da garota como se ela tivesse mandado dizendo que não voltaria mais para casa. Os pais da garota se matam. Como se não bastasse Madeleine tem seu olho furado pelo cafetão. Então durante a estória a garota junta o dinheiro que ganha com seus programas e começa um treinamento de defesa pessoal que incluem aulas de direção, kung fu, táticas militares e tiro. Depois vai atrás de cada FDP para se vingar.

E é isso, simples, mas uma porrada. O filme tem uma atmosfera perturbadora, tensa. As musicas da trilha sonora são oníricas, o filme é silencioso, mas um silêncio ameaçador, a expectativa que podemos ter durante estória é de que sempre o pior está por vir. A protagonista não pronuncia uma só palavra, é muda, violenta e carismática. Por ser simples é uma perfeita história de vingança, tanto que o foco de boa parte do filme são as seções de treinamento de Madeleine.

E uma nota para finalizar; esse filme sueco foi BANIDO do país por mostrar cenas hardcore de sexo explícito. A cena do olho sendo perfurado não tem nenhum banho de sangue, pode se dizer que é até singela, um belo close-up da ponta da faca furando lentamente o globo ocular. A cena é de um grau de realismo absurdo daquelas que nos faz pensar “Como eles atingiram esse realismo?”. Dizia uma lenda que eles usaram um cadáver para fazer a cena. Recentemente Christina Lindberg confirmou essa informação.