:: 7 Days A Week ::
a nerdorama's spin-off

5.10.06

A Vila (The Village) - 2004 - Dir. M. Night Shyamalan

Antes de assistir um filme do Shyamalan eu prefiro ouvir o mínimo possível de opiniões alheias a respeito. Quase todo mundo diz (não importa qual filme) o quanto foi decepcionante e que o monstro quase não aparece. De lambuja, aproveitam para contar o final, que são as coisas mais legais dos filmes do Shyamalan. Sendo assim, imagino que vocês tenham a mesma opinião, então não pretendo contar nenhum segredo importante do filme.

A população de uma pequena e isolada vila é ameaçada pelas criaturas míticas que vivem na floresta, local proibido aos habitantes da vila. Ou pelo menos isso é o que eles acreditam haver lá. A trama é claramente uma metáfora aos dias atuais, questionando a natureza do homem e até que ponto somos capazes de ir em pró da segurança e uma vida com menos sofrimentos. Apesar da ótima idéia o roteiro tem algumas falhas que incomodam ao terminar de assistir o filme. Fica claro que em certos momentos Shyamalan simplesmente quis criar um suspense.

A Vila é um belo filme, sensível e divertido. Mas aqueles que associaram o diretor ao gênero "terror" depois de terem assistido O Sexto Sentido, provavelmente ficarão decepcionados.

Nota 4 de 6. Pelo menos aluguem para ver o Shyamalan criança brincando de Indiana Jones.

4.10.06

A Morte Do Demônio (The Evil Dead) - 1981 - Dir. Sam Raimi

Evil Dead é o primeiro filme da trilogia conhecida por aqui como "Uma Noite Alucinante", estrelado por Bruce "Ash " Campbell. É também o primeiro longa-metragem dirigido por Sam Raimi, hoje em dia famoso pelos filmes do Homem-Aranha. Mesmo sendo o primeiro de seus filmes ele já carregava algumas das que se tornariam as marcas registradas do diretor, como os movimentos e ângulos de câmera, que em alguns momentos chegam a ser vertiginosos.

Cinco amigos viajam para uma cabana na floresta, onde encontram uma gravação e o Livro Dos Mortos. Ao ouvir a gravação eles exaltam o poder dos demônios do livro, até então adormecidos, e são possuídos um a um. O único jeito de parar aqueles que são possuídos é pelo esquartejamento.

O filme é nojento, asqueroso, violento e, acima de tudo, muito divertido. Qualquer dúvida do significado da palavra "gore" é respondida facilmente com a sequência final dentro da cabana, com MUITO sangue e nojeiras voando para todo lado. Uma delicia de se assistir.

Nota 6 de 6. Árvores estupram. Só digo isso para sustentar minha cotação.

3.10.06

Todo Poderoso (Bruce Almighty) - 2003 - Dir. Tom Shadyac

Um homem descontente com sua vida recebe de Deus todos os seus poderes para governar o planeta da forma que achar melhor.
Uma boa premissa com certeza, mas e o filme?

Eu sempre achei o Jim Carrey um ótimo ator e comediante, mas para esse papel seu humor não serviu. É um tanto desagradável ver suas reações exageradas numa tentativa frustrada de fazer o público rir, mesmo que seu personagem tenha acabado de ter o pior dia de sua vida. Mas não acredito que isso tenha sido culpa do ator, e sim do diretor.
O filme é obviamente cinema para as massas, tentando agradar a todo tipo de público. Tem drama, comédia, romance...

O resultado final é um filme para a família, que fatura milhões mesmo sendo uma porcaria medíocre, com piadas sem graça e nenhum valor para o cinema.

Nota 2 de 6. Mas algum amigo seu vai dizer que é muito bom, pode ter certeza.

Três Homens Em Conflito (Il Buono, il brutto, il cattivo) - 1966 - Dir. Sergio Leone

Western é considerado por muitos um gênero artisticamente fraco e chato, com um bando de machões falando palavrões e atirando um contra o outro. Opinião de babaca que nunca sentou para assistir um filme do Sergio Leone, especialmente esse clássico. Visualmente, o filme é tão belo quanto uma pintura, repleto de detalhes, e tão grandioso quanto qualquer ótimo épico.

"Três Homens Em Conflito" é o último filme da trilogia dos Dólares - composta também de "Por Um Punhado De Dólares" e "Por Uns Dólares A Mais" -, e provavelmente o mais conhecido dos três, se não o mais conhecido Western de todos. Sua música tema é sempre associada ao gênero, mesmo por aqueles que nunca assistiram ao filme, o que prova quanto impacto o filme teve sobre a cultura pop e o cinema.

Os personagens de Clint Eastwood, Lee Van Cleff e Eli Wallach ("O bom, o mau e o feio", do titulo original) buscam um grande tesouro. No meio dessa jornada eles acabam se deparando, e até participando da Guerra Civil Americana. Apesar do que a frase anterior possa ter dado a entender essa jornada é em grande parte individual. Oras, estamos falando do velho oeste, terra de ninguém, onde a lei é quase inexistente, aguçando assim a ganância nos homens, que matam por qualquer trocado.

Nota 6 de 6. Um clássico que definiu o western spaghetti.

1.10.06

Sem Destino (Easy Rider) - 1969 - Dir. Dennis Hopper



Dois caras juntam uma grana, pegam suas Harleys e partem para uma viagem recheada de sexo, drogas e rock n' roll. Esses dois caras representam a liberdade de escolhas para ser quem você quer, fazer o que quiser e quando quiser. A fórmula perfeita para um "road movie" ótimo. Infelizmente estamos falando de um filme feito em 1969, época em que o movimento hippie estava no ápice, e esse é o espírito de boa parte do filme, o que me incomodou e muito.

A direção de Dennis Hopper nesse filme, por mais ousada que tenha sido, é claramente amadora com movimentos de câmera dignos de MTV. Já como ator o cara está muito bom, fazendo o papel do doidão engraçado Billy. Mas são Peter Fonda e Jack Nicholson que roubam a atenção quando em cena. Peter Fonda é o "cool" Wyatt, falando pouco mas sendo certeiro em cada palavra. Jack Nicholson faz o papel do advogado alcoólatra George Hanson, personagem responsável pelo melhor diálogo do filme. O cara esteve tão bom nesse papel que acabou recebendo uma indicação ao Oscar de melhor ator coadjuvante.

O movimento hippie nunca me convenceu, e se não fosse por essa maldita influência e uma trilha-sonora um pouco melhor essa fórmula teria funcionado muito bem.

Nota 2 de 6, porque é hippie demais para mim.

Aladdin - 1992 - Dir. Ron Clements/John Musker



Começo essa resenha dizendo que me sinto bagre em pôr o nome dos diretores ai em cima. Aladdin todo mundo conhece e já assistiu pelo menos uma vez na vida o que torna a apresentação do filme dispensável.

Essa versão em DVD está muito bonita, com as cores bem vivas e uma nitidez incrível.
Porém, a animação tem alguns defeitos que me incomodaram bastante. O cenário é lindo, cheio de detalhes, sombreamento e diferentes tonalidades de cores, coisa de artista mesmo. Mas a animação, apesar de ser absurdamente fluente, é chapada. Todas essas tonalidades e sombras que foram usadas nos cenários estão ausentes nos personagens, o que causa um contraste desagradável. Há também algumas animações computadorizadas, mas isso eu desconfio que foi feito para colocar nessa nova versão do DVD. Sendo novas ou não, estão muito bem feitas e bonitas.

O som não estava dos melhores, com a voz muito abafada e baixa, e todos os outros sons num volume muito mais alto. Apesar de eu estar achando até agora que o "problema" na verdade era do meu home theater. Mesmo assim, ainda é possível curtir as clássicas músicas da Disney, que devem ter feito muita gente cantarolar "As noites da aráááábia, e os dias também"... Ou minha favorita, "Um mundo Ideal" - Olha eu vou lhe mostrar como é belo esse muuuundo.

Aladdin é um clássico do que foi, para mim, a era de ouro da Disney. Os melhores filmes (animações ou desenhos, como preferir) saíram nessa época.

Nota 4 de 6, porque é tão bom quanto eu me lembrava e se não fosse por alguns pequenos detalhes técnicos levaria uma nota mais alta.

Os Dez Mandamentos (The Ten Commandments) - 1956 - Dir. Cecil B. DeMille



A primeira vez que eu assisti esse filme foi com o meu pai, numa raríssima transmissão pela Globo, há muitos anos atrás. Lembro que na época eu fiquei impressionado com toda aquela beleza e a sensação de estar vendo algo tão grandioso e diferente. Ao assistir o filme novamente essa sensação permanece, mas agora sei defini-la um pouco melhor. É a sensação de estar diante de um belissimo épico, composto como um quadro, cheio de detalhes lindos, tanto visualmente quanto técnicamente.

Não há muito o que dizer do filme que não acabe sendo elogios. Por exemplo, o elenco, que é algo fantástico. Como pode ter tanta gente talentosa num único filme? Charlton Heaston, Yul Brynner, Anne Baxter... Ai meu deus, Anne Baxter. Confesso, me apaixonei pela mulher.

A história todo mundo já conhece. Moisés é criado como um princípe egípcio, até que descobre ser um hebreu. Decide então virar as costas para a "nobreza" e liderar seu povo à liberdade. Foi um resumo porco, mas basicamente é isso.

Nota 6 de 6. Dar uma nota mais baixa que isso é um insulto. Assistam (mas não quero ninguém de olho na Anne Baxter, ok?).

Cidadão Kane (Citizen Kane) - 1941 - Dir. Orson Welles



Entender porque Cidadão Kane é tão importante para a história do cinema e considerado o melhor filme já feito é fácil. Além de seu alto nível técnico ele possui uma história que continua atual, com personagens bem construídos e interessantes.

O filme começa com a cena de um homem em seu leito de morte murmurando a palavra "Rosebud". Esse homem é Charles Foster Kane, formador de opnião, um magnata dono de um dos jornais mais influentes do mundo. Um repórter é designado para descobrir o que tal palavra significa, e o faz por meio de entrevistas de pessoas que conviveram com Kane em diversos momentos de sua vida, reconstruindo assim sua trajetória de vida (a de Kane, não a do repórter. É que eu sei que ficou mal escrito esse trecho).

Pessoalmente eu não acredito nessas coisas de "melhor filme já feito" e etc... Cidadão Kane foi revolucionário sim, e merece ser um marco na história do cinema. Pode não ser visto como um filme divertido, mas sua importância é incontestável. Definitivamente é um clássico, responsável por uma geração inteira de cineastas.

E ah, vale lembrar que Orson Welles tinha apenas 24 anos quando dirigiu, escreveu e atual no filme. Não esperem que eu faça algo tão importante para o mundo daqui 4 anos não...

Nota 5 de 6.

Donnie Darko - 2001 - Dir. Richard Kelly


O primeiro parágrafo da sinopse do filme diz "Quem vê Donnie Darko logo imagina se tratar de um adolescente desajustado. Na verdade, Donnie está à beira da loucura, devido a visões constantes de um coelho monstruoso, que tenta manter-lo sob a sua sinistra influência."
Acho que até quem escreveu essa sinopse teve dificuldade em definir o filme em poucas linhas, mas nada em Donnie Darko é tão simples e óbvio quanto parece, o tema do filme principalmente. Não se trata apenas de um garoto com problemas psicológicos, há outras questões muito mais profundas ao decorrer do filme que são apresentadas ao espectador, como o existencialismo, sacrifício, viagem no tempo... Termino a apresentação do filme por aqui, para não estragar qualquer surpresa.

O filme é cheio de ótimas escolhas, tanto de elenco como a trilha-sonora. A sequência inicial ao som de "The Killing Moon" do Echo & The Bunnymen é um exemplo disso. "Fate, up against your will. Through the thick and thin, he will wait until you give yourself to him".
Eu nunca fui fã de Echo & The Bunnymen mas como negar que esse refrão é perfeito para abrir o filme? Há também uma sequência inteira ao som de Tears For Fears. Duran Duran e Joy Division também fazem parte da trilha-sonora.

Cacete, hoje eu tô uma merda pra escrever resenha. Esse filme também não é algo fácil de escrever sobre... Pra finalizar, o filme é lindo e ótimo. Vou me livrar logo do pepino de escrever algo mais sobre ele.
Assistam se quiser, já me deu no saco escrever isso aqui.

Nota 5 de 6, fácil.

Fúria de Titãs (Clash Of The Titans) - 1981 - Dir. Desmond Davis


O filme é baseado na mitologia grega, mais exatamente no mito de Perseu, filho de Zeus com uma mortal. Ok, apresentação tosca feita eu já posso dizer que o filme não é tudo aquilo que eu esperava. Divertido? Sim, mas longe de ser um clássico.

Ray Harryhausen é um dos maiores gênio dos efeitos especiais, principalmente da técnica do stop motion e este foi o último filme em que ele fez suas "mágicas". Um cara que influenciou tanta gente e que com certeza fez uma diferença absurda na história do cinema merecia um filme muito melhor para terminar sua carreira.

As melhores atuações do filme são de atores que interpretam personagens secundários; Burgess Meredith no papel do "dramaturgo" Ammon e a ótima Maggie Smith que interpreta a deusa Thetis. Burgess Meredith é mais conhecido pelo papel do treinador Mickey nos filmes do Rocky, e Maggie Smith é conhecida atualmente por sua personagem nos filmes do Harry Potter, a professora Minerva.
Os personagens que deveriam ser os mais interessantes do filme, Perseu e Afrodite, são interpretados de uma forma tão indiferente que eu me recuso a citar o nome dos atores aqui.

Vou terminar essa "resenha" por aqui. Estou achando que o texto ficou uma bela bosta e se eu continuar a tendência é piorar, mas para finalizar eu preciso dizer que o filme não é um desastre. Se você gosta de histórias com seres incríveis, mitologia grega e não liga tanto para atuações ruins você talvez consiga se divertir. Ou simplesmente alugue para conferir a cena da Medusa, o ponto alto do filme. Há o Kraken também, em uma versão diferente da vista no Piratas Do Caribe 2, mas ainda é o Kraken...

Nota 3 de 6. É bom, mas não é um clássico.

A quem possa interessar

E assim começo mais um blog (já perdi a conta de quantos já criei), explicando o porque de sua existência e quais meus objetivos com ele.

Criei esse blog para postar minhas "resenhas" de filmes. Posso não me limitar apenas a filmes, mas por enquanto todos os textos serão desse tipo. Nada de vida pessoal e etc... Apenas resenhas e opiniões.

E porque não continuar postando isso no fotolog? Simplesmente porque acho que o formato do fotolog não é bom para postar esse tipo de texto. Eu não posso formatar o texto lá - nada de negrito, itálico ou o que quer que seja mais "fancy" - e sou limitado a postar uma imagem por texto.

Não espero nenhum comentário ou visita nesse blog. Não estou dizendo que abomino quem quiser o fazer, me sentirei muito honrado se alguém se sentir inspirado a comentar algo sobre um dos meus textos ou filmes "resenhados", mas esse não é um dos meus objetivos, afinal de contas nunca passou pela minha cabeça ser um crítico de cinema.